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A mulher e o direito ao voto

Em noite de pré-eleições presidenciais, não podíamos deixar de escrever sobre a mulher e a luta pelo direito ao voto.


A conquista das mulheres pelo direito ao voto não é algo tão distante de todxs nós. E dá que pensar. Muitas vezes, nos dias de hoje, sentimos que a mulher não é considerada nem reconhecida na nossa sociedade e como Simone de Beauvoir escreveu, e nós subscrevemos na totalidade, a mulher é, muitas vezes, apenas e unicamente O Outro. Porém, não há muito tempo, nem O Outro éramos. Antes do voto feminino ser permitido, a mulher não era nada aos olhos da sociedade. A mulher não representava sequer um cidadão ou membro da sociedade. A mulher era um ser sem qualquer valor.


O direito ao voto foi atribuído, durante muitos ano, exclusivamente aos homens. Por todo o mundo, foi uma luta muito árdua para todxs os que pertenciam ao Movimento pelo Sufrágio Feminino. A origem deste movimento aconteceu em França, no século XVIII. As sufragistas eram essencialmente mulheres feministas (e alguns homens) que tinham como maior objectivo estender o sufrágio - o direito de votar - às mulheres. E foi por causa da coragem destas pessoas, que nunca pararam de remar contra a maré, que hoje temos o voto como dado adquirido. Mas não foi, não é!


O voto feminino foi dos primeiros direitos das mulheres a ser conquistado pelas feministas. E que grande conquista! Tão significativa!


Quando falamos do direito ao voto, é inevitável falar de feminismo e da sua importância. Sim, porque se não fossem as tão temidas feministas, hoje não teríamos a liberdade e o direito de decidir e fazer parte das decisões do nosso país. É por esse motivo (e tantos outros!), que não percebemos como há mulheres que dizem, quase com pavor da palavra, "eu não sou feminista!". Nós, as Ninas, orgulhosamente enchemos os peitos e gritamos ao mundo que somos feministas. Se hoje, podemos votar é graças ao feminismo e a todas as mulheres feministas. Ser feminista é também ser grata. Ser feminista é honrar todas as mulheres que viveram vidas muito mais limitadoras do que nós, sem qualquer liberdade. Ser feminista é ser VOZ. Ser feminista é ser mulher. Mulher livre.


A mulher portuguesa e o voto


A primeira mulher portuguesa a votar foi Carolina Beatriz Ângelo, em 1911. Porém, não por direito! Como era permitido o voto a todos os chefes de família que soubessem ler e era referido o género, Carolina Ângelo, que era médica, viúva, e por isso, chefe de família, aproveitou o buraco na legislação da recém-nascida República e votou. Foi a primeira mulher a votar em Portugal e durante muitos a única. No ato eleitoral de 1913, uma nova legislação foi aprovada, o que proibiu as mulheres de votarem.


Curiosamente, foi na ditadura de António de Oliveira Salazar, que foi atribuído à mulher portuguesa o voto nas eleições para as juntas de freguesia – não para as câmaras municipais –, sendo que era só permitido votar às mulheres "chefes de família". O que o transformava num direito bastante restritivo, pelo número muito pequeno de mulheres "chefes de família".


Só depois do 25 de Abril de 1974, o direito de voto se tornou universal em Portugal.


Carolina Beatriz Ângelo


A mulher portuguesa e a política


É com bastante orgulho que vemos cada vez mais mulheres a candidatarem-se à Presidência da República. Porém, e apesar de já termos percorrido um longo caminho, que tem que ser reconhecido e celebrado, os números e os cargos continuam a pertencer aos homens.


Maria Lourdes Pintassilgo, em 1979, foi a primeira mulher a ser eleita primeira ministra de Portugal. E até aos dias de hoje, foi a única mulher portuguesa a ocupar um cargo com tão elevada importância na República Portuguesa. Mas que não seja a última! Que seja só o início do futuro que pertencerá também às mulheres. Que todas as meninas portuguesas - e de todo o mundo - cresçam a acreditar que podem ser Presidentes da República ou Primeiras-Ministras.


Maria Lourdes Pintassilgo


Amanhã saiam à rua e votem. Votem por todas aquelas que lutaram para que isso fosse possível. Sejam voz por todas aquelas que nunca puderam fazer-se ouvir.


Sejam mudança.


"Women belong in all places where decisions are being made." - Ruth Bader Ginsburg


Com amor,


As vossas Ninas ✿


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