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Fast Fashion em tempos de pandemia

De 16 de setembro a 21 de outubro, decorrem uma série de webninars, de nome WEAR Conference. Disponível a todos os interessados em construir novos conhecimentos sobre o estado da chain supply no mundo da fast fashion. Se estes termos são te alienígenas, o primeiro diz respeito às cadeias de fornecimento de bens e o segundo, ao padrão de produção no mundo da moda, como resposta a um mercado cada vez mais consumista.



Falemos do primeiro webinar, cujo tema é "Putting People First in Fashion’s Supply Chains", onde o foco é o impacto social que o sistema, durante a pandemia, teve nos seus trabalhadores fabris. Desde de Março, estas marcas têm estado em dívida, não tendo pago encomendas e exigindo descontos sob preços já microscópicos! No total, devem 20 milhões de dólares. Por aí, percebe-se o destaque dado à marca H&M, patrocinador desta conferência.

Sem dúvida, que é algo estranho, mas não se pode negar os factos. Ao contrário de tantas outras, manteve ordenados e consequentemente fábricas, reconhecendo a sua humanidade e não as tratando como meros produtos. Revelou-se em termos sociais um exemplo a seguir e aplaudida pelos donos das fábricas. Obviamente, isso não retira todo o seu historial monstruoso, como uma marca ambiental e socialmente irresponsável.

Em causa, estão ordenados de 1$/dia. A H&M fez o absoluto mínimo e impediu a morte e fome de muitos, ao evitar cortes nos seus rendimentos, mas isto não é justiça. Ainda há um longo caminho a ser percorrido.

A dívida de 20 milhões para com fábricas de centenas de trabalhadores, revela o contraste na segurança. As empresas aguentam os golpes e crises desta pandemia, protegidos por diferentes redes (por ex: advogados e seguros). Contrastando, com os seus empregados fabris, que facilmente são manipulados e expostos a acordos injustos e abaixo do limiar da pobreza.



Daí a criação da campanha #PayUP.


A campanha #PayUP, envolve ativistas como Ayesha Barenblat, em parceria com a IOL (Internacional Organization of Labour). Por um lado, a IOL tem-se focado na realização de calls to action:


- para a promoção e criação de redes de proteção, incluindo nestes sistemas, as

próprias marcas;

- criação de recursos;

- incentivos à mobilização de recursos;

- priorização da ajuda internacional a países mais vulneráveis, durante a pandemia;

- valorização do trabalho realizado, reconhecendo a mão de obra fabril, destas

empresas e corporações.


E a campanha #PayUp, foca-se na responsabilização destas marcas:


- pagar os bens que já foram exportados e parar os descontos no pagamento dos serviços, para que as fábricas recebam o pagamento na totalidade;

- transparência no processo de produção destas roupas;

- pagar aos trabalhadores o mais rapidamente possível;

- consciencialização da urgência do problema

- criação de legislação.


Apesar, da base destas marcas serem os seus colaboradores, estes são constantemente esquecidos, ignorados e os seus direitos considerados tão descartáveis quanto as roupas que fazem. Ainda é de realçar, que estes trabalhadores são, na sua maioria, mulheres. Quando a produção não equivale às expectativas e exigências, são alvos de abusos por parte dos seus superiores.

Durante este webinar a transparência foi um tópico dominante. Os órgãos de ação social gritam por tornar estas relações da chain supply, domínio público ou pelo menos mais transparentes dentro da indústria e associados, uma vez que é tão importante saber quem está a pagar às fábricas e como está organizada a distribuição desses montantes. Estes dados tornados públicos permitem uma maior precisão, na tomada de decisões políticas e uma distribuição de recursos mais equitativa.


O contraponto é que as fábricas que primam pela transparência não são contratadas. Segundo Mostafiz Uddin, dono de uma fábrica, que procura parcerias com associações locais e internacionais, esta ‘transparência’ é algo que o impede de criar novos contratos. Pois, não corresponde às condições impostas pelas marcas. Frequentemente, a transparência é utilizada como tática de marketing e não algo que ajude estas comunidades.


Tomo a liberdade para concluir, que falta vontade por parte das marcas e vontade política, para que se crie legislação que lute contra a injustiça social e ambiental causada por estes gigantes. Mais do mesmo? Não diria, estes webninars fazem parte do processo de consciencialização e divulgação de campanhas como a #PayUp.


Visitem estes links para assinarem a petição da #PayUp e verem estes webinars:


https://payupfashi on.com/?fbclid=IwAR0_6Il83i4BZAkl6ob6n21OYD_hbvRBF99rDJE_Z

_dKjaT_GXY1p5WXfL8

https://wear.fashiontakesaction.com/sessions/page/2/


Escrito por Carolina Almeida

(@strange_beings)


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A Ninas é uma marca que apoia e pratica a Slow Fashion. Em contraposição à Fast Fashion, a slow fashion é uma alternativa socioambiental mais sustentável, que preza pela diversidade e diferença; prefere o local em relação ao global; prioriza uma relação mais intimista entre produtores e consumidores; pratica preços reais que incorporam custos sociais e ecológicos; e mantém as produção entre pequena e média escalas. A Ninas opta por produzir em pequena escala e reutilizar gangas e tecidos em dead stock, de forma a contrariar a cultura do desperdício.


A Carolina partilhou connosco uma visão muito importante da questão do Fast Fashion e do evento Wear Conference. Queremos que todos se sintam livres de partilhar connosco as suas opiniões e visões sobre o mundo. Pretendemos que a Ninas seja um espaço de partilha e aprendizagem.


Obrigada por estarem desse lado!



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