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"Soul" e o racismo sistémico em Portugal

Atualizado: Fev 10



Soul é um filme americano de animação da Pixar que reúne humor, jazz, a celebração da vida e das paixões e ambições, que são a nossa alma, e nos fazem transcender o nosso corpo.


Soul torna-se num filme histórico no cinema de animação por se tratar do primeiro filme da Disney em que a personagem principal é um homem negro e que um ator negro (Jamie Foxx) dá voz a uma personagem principal num filme de animação.



O filme Soul surge para nos ensinar muitas coisas, mas em Portugal ensinou-nos muito mais.


Mostrou a todxs que Portugal é um país racista e que há quem viva tão dentro da sua bolha de privilégio branco que continua a negar esse facto.


Uma das maiores missões deste filme era a representatividade, que foi completamente ignorada em Portugal no momento da escolha dos atores para dobrarem as personagens. A representatividade é uma das maiores ferramentas na luta contra o racismo e a discriminação. E principalmente, num filme que nasce como celebração da Cultura Musical Negra, as dobragens deveriam ser representativa em todos os países.


O elenco português, ao contrário do elenco original, ou do elenco francês, brasileiro, etc, é composto essencialmente por artistas brancos.


Não se trata de extremismos ou de sermos uma "geração sensível", "de ofendidos", ou "que já não se pode dizer ou fazer nada", é sim mais uma prova do racismo sistémico que existe em Portugal. O racismo sistémico é um produto da construção e reprodução da sociedade, em que se negam oportunidades e experiências.


Várias figuras públicas e activistas não ficaram em silêncio depois de conhecerem os artistas portugueses que iam dar voz às personagens de Soul.


O ator Marco Mendonça escreveu no Instagram algo que tem de nos deixar a todxs a pensar, "Todas as personagens do filme, incluindo as personagens negras, foram dobradas por atores e atrizes brancos e brancas. Bem sei que se trata de um filme de animação, e que as vozes nem sempre têm de corresponder às caras, mas fiquei a pensar: quando as personagens são brancas, também acontece serem atores e atrizes negras a dobrar? Não."


Nuno Markl acrescentou que “Sempre que acontece uma coisa destas, prossegue-se o escavar do fosso que afasta esses atores das oportunidades que merecem. Quando se fala de racismo sistémico, fala-se de percalços destes: não terá havido más intenções, mas o simbolismo de ‘Soul’, apesar de contar uma história universal sobre emoções que atravessam pessoas de todas as cores e culturas, é particularmente especial e devia ser celebrado cá como aconteceu nas versões dobradas de ‘Soul’ noutros países. Pode ser que trazendo este tema a debate, as coisas mudem. Que se tome isto como construtivo, porque é esse o espírito”.


A indústria do cinema, como as indústrias artísticas, tem um papel tão importante e uma responsabilidade muito grande no combate contra o preconceito, a discriminação e certos estigmas. Não há ninguém que não consuma pelo menos uma das artes seguintes: cinema, teatro, música, pintura, escrita. Certo? Se estas não são representativas, inclusivas e igualitárias, estão a ignorar o seu papel de responsabilidade como agentes na mudança. E isto não pode acontecer!


A arte, em todas as suas categorias, molda os indivíduos e tem um papel extremamente importante na formação de novas mentalidades.


Despedimos-nos deste artigo e de 2020 com a frase que podem encontrar na nossa Homepage porque acreditamos mesmo nela e porque faz todo o sentido neste debate.



A ARTE MUDA AS PESSOAS E AS PESSOAS MUDAM O MUNDO


Um feliz 2021 a todxs e que 2021 seja um ano de humanidade, respeito, tolerância, empatia e inclusividade!



Com amor,


As vossas Ninas

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